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A gente chora porque nasce. Pela vida.
Chora porque cresce.
Sangra. Carne viva.
Chora por medo de morrer, de perder.
E quando tudo acaba, choram por nós.

Entre os espaços não ditos: o que não tem explicação.
Sem os espaços, nada além de versos em vão.

Falamos sem saber, morremos sem dizer. 
O que tem valor é imensurável.

Eu muda. Tu mudas. Nós mundo. Quer uma carona?


            São tantos prédios dentro de um mundo, tantos mundos num mesmo prédio. Das luzes acesas na janela, observo um velho fumando.  O fogo que queima seu cigarro e arde nos pulmões, as cinzas que caem e se espalham em meio ao cinza da poluição. A dona de casa, que corre atrás do filho caçula, a mãe do filho drogado, a mãe do filho sem pai, a mão da mãe erguida aos céus. O jantar dos ricos, na mesa de madeira importada e de talheres de prata. Aquele homem sentado. A dor que ele sente e que o faz parar, enquanto o mundo vive e os carros lá embaixo correm.  Das janelas diferentes mundos, vejo nuances. O tempo corre do lado de fora, e para do lado de dentro. O grito da mãe parece eterno, a conversa chata na mesa do jantar parece eterna, o ardor, parece eterna a dor. 


Desenho do amigo @antsunesu


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