_Eu odeio lagartas. - disse a borboleta.
_Mas como?! Você já foi lagarta um dia! - estranhou a cigarra.
_Sim. Mas não sou mais...
_Como consegue negar o seu passado?
_Eu não nego. Ele existe e não dá pra negar...
(Breve Silêncio...)
_Mas por que você odeia as lagartas? Sem elas você não existiria...
_Porque elas querem saber voar, querem ser coloridas. Querem ser como eu.
_E isso não é bom?
_Não. Querendo ser eu, elas esquecem delas. Esquecem que eu sou igual a elas. Me colocam num topo inatingível. Querendo ser eu, elas confirmam para si que não conseguem ser nada melhor. Querendo ser eu, elas me prejudicam.
_E então, você nunca vai deixar de odiá-las?
_Só quando elas deixarem de ser lagartas e virarem borboletas!
_Porque? As borboletas são melhores?
_Não são melhores. Deixarem de ser lagartas é se convencerem de que não merecem viver se arrastando e que merecem voar. Se convencerem de que a borboleta mais incrível se encontra dentro delas, e que o valor que reflete, advém desse encontro. E que a metamorfose depende delas. Lagartas são medíocres.
_Você odeia os seres humanos também?
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