Sempre gostei de arte. Na escola, tive aula de música e fiz teatro. Apresentei-me para o mais exigente e fiel público que poderia haver: minha família, a família de meus amigos e os professores. E pra mim era uma puta de uma responsabilidade. Eu era criança, meu mundo era a escola, meus heróis eram eles. Por lá, fiz revoluções, falei do que acreditava...toco de gente e cheia de opinião que era eu, não mudei nem o preço do salgado da cantina.
Eu cresci, e ninguém mais queria fazer teatro e fazer música. As meninas da minha sala passavam batom e começavam a cochichar de meninos, dando risadinhas no final só para chamar a atenção deles. Descobri o que era transar. Menstruei, e dei o meu primeiro beijo na boca. Comecei a achar meus pais um saco, e a pensar em profissão. Profissão de verdade, ser médica como meu pai queria, ser engenheira, ser dentista, ser psicóloga. Nada de arte. Todo mundo da minha idade queria sair, encontrar garotos, beber e conversar. Eu sempre odiei sair de casa, achava os meninos da minha idade uns moleques e sempre fui péssima pra conversar. Mas mesmo assim vivi tudo isso. Não sei porque.
Em algum ponto, (que não identifico bem qual), ser tudo o que era comum na minha idade, e deixar de ser o que eu realmente era, começou a me fazer muito mal. Mas não estou aqui para falar disso, e nem vocês vão ter saco para escutar tudo. O fato é que eu não sou igual a todo mundo da minha idade, ninguém é, mas fingem que são. Eu apenas cansei de fingir, pois viver o que eu não era, dava no mesmo que estar morta.
Hoje eu faço Jornalismo, e entrar na faculdade foi uma das melhores coisas que me aconteceram. A faculdade é a escola dos adultos, e quem sabe alguém possa me levar a sério desta vez. Ainda toco (o suficiente para me fazer bem), não faço teatro mais, e amo ler e escrever. Tenho um twitter, e quem me segue desde o começo pode pensar que ando mudada. Não ando mudada, ando querendo viver. Adoro o twitter mas duas coisas me limitam lá: a primeira é o número de caracteres, e a segunda, é possuir gente que só lê o que eu escrevo porque me conhece, estudou comigo ou me viu na esquina. Esse espaço aqui é meu e de todo mundo que realmente se interessar. Livre como eu gosto de ser. Livre-se como puder.
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10 de fevereiro de 2011 às 20:31
Gostei da maneira como você escreve e o que você disse tem bastante sentido, as pessoas fingem o tempo todo ser o que não são, enfim.
;*